terça-feira, 17 de novembro de 2009

Carta aberta aos subversivos de Jesus

Carta aberta aos subversivos de Jesus



Alan Brizotti


Queridos amigos de indignação, paz!

Robinson Cavalcanti escreveu: "Um mundo novo é possível; uma igreja nova é imprescindível". Eis a ânsia que nos une. Resolvi escrever essa carta (e não a velocidade impessoal do e-mail e seu internetês) porque cartas despertam aquela nostalgia deliciosamente clássica que parece ter sumido dos nossos dias, também porque precisamos cada vez mais estarmos juntos. Nossa força vem do nosso abraço. Nossa unidade é o megafone que potencializa nosso grito.

Algumas pessoas insistem em questionar nosso criticismo (ao invés de questionar seu alvo), então respondo: criticamos não porque vivemos encarcerados numa espiritualidade azeda (ainda que alguns de nós assim estejam), mas porque somos parte do corpo (I Co. 12. 12-27), e o que dói no corpo afeta nossa alma. Criticamos porque não conseguimos olhar para o ambiente eclesiástico com uma irresponsabilidade tatuada de piedade e tolerância, mas sim com a inquietação aprendida do olhar de Jesus: "Vendo ele as multidões"; em Jesus, o olhar constrói.

Tenho percebido que nossas críticas produzem algumas feridas. Contudo, se Jesus Cristo é o "médico dos médicos", então, o melhor que temos a oferecer são justamente nossas feridas, principalmente quando são geradas pela adocicada fúria do amor: "Fiéis são as feridas feitas pelo que ama, mas os beijos do que odeia são enganosos" (Pv. 27. 6). Nossas feridas não matam, aliás, nem mesmo são feridas, são apenas paradoxos benditos: machucam para sarar.

Ouso fazer um apelo: amigos subversivos, jamais nos esqueçamos da essência da nossa subversão: a centralidade de Cristo acima das ideologias (II Co. 10. 5), a santidade de Deus (Is. 6. 1-7), a prática da oração (I Ts. 5. 17), a meditação nas Escrituras (Sl. 119. 101-106), o cuidado no discipulado que forma o caráter (II Tm. 2) e a afirmação da Cruz de Cristo (I Co. 1. 18). Esse é o nosso baluarte! Essa é a nossa gloriosa herança!

Por favor, meus amigos de gemido, nossa causa é a mais nobre de todas as causas: a luta pela regeneração da igreja! Não se trata de arrogância intelectualóide, mas de temor e tremor. Apenas captamos o chamado do Espírito e adestramos nossas fúrias, canalizando-as para a defesa fiel dos valores do Reino.

Aos empresários da fé, paipóstolos, malandros de púlpito, vagabundos da celestialidade bandida, um aviso: não vamos parar! O que nos une é a certeza feliz de que sempre tem alguém ouvindo e respondendo ao nosso grito!

Por uma igreja verdadeiramente Igreja...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

NÃO SOU MAIS EVANGÉLICO - ll

Por Ubirajara Quintino

Calma! Antes de fazer juízo precipitado de minha declaração, leia com atenção a argumentação que faço, para justificar tal afirmação.

Sou de uma geração em que nomes e marcas fizeram história. Quando garoto eu gostava de acompanhar minha mãe à “venda ou armazém” para fazer as compras do mês. Lembro-me muito bem que alguns produtos eram conhecidos pelas marcas, nomes fantasias, e não pelo produto em si. Exemplos: Quando se falava em leite condensado, pensava-se imediatamente no nome “Leite Moça”; quando se falava em água sanitária, pensava-se imediatamente em “Cândida”; quando se pensava em amido de milho, pensava-se imediatamente em “Maizena”; quando se falava em curativos práticos, pensava-se imediatamente em “Band-Aid”; quando se falava em refrigerante, pensava-se imediatamente em “Coca-Cola”. Embora esta seja uma visão tipicamente paulistana, da capital e arredores, mas com uma penetração em quase todo o território brasileiro.

Pode parecer algo sem sentido o que exponho, mas uso como exemplo estes produtos, porque os mesmo ficaram conhecidos não pelo seu conteúdo, mas pelos seus nomes. Ao simples pronunciar o nome de algum destes produtos, associava-se com qualidade e garantia de eficácia. Não restava nenhuma dúvida, se era “a tal marca”, podia-se comprar com total segurança, que a satisfação estava garantida.

Muitos destes produtos ao longo dos anos foram copiados e colocados à venda no mercado, alardeando-se que teriam a mesma qualidade dos produtos já famosos. Isto com o passar dos anos foi sendo questionado por muitos e muitas marcas genéricas sumiram do mercado, pois não tinham a qualidade dos produtos de “Marca.” Associo esta argumentação à nomenclatura que ao longo dos anos, acompanhou o povo de Deus.

Na minha infância, quando os meus pais tornaram-se servos de Deus, era comum os mesmos serem chamados de “Crentes”. O simples fato de alguém mencionar a palavra “crente”, isto era imediatamente associado a alguma pessoa que pertencia a uma denominação cristã. “Protestantes, Quebra-Santos, Crentes, Bíblias, Adeptos do livro da capa preta, eram nomes dados aos servos de Deus. Com o tempo esta nomenclatura, “Crente”, começou a ser questionada em face de alguns escândalos de comportamento, patrocinados por alguns membros das várias igrejas cristãs existentes na época. Muitos pastores começaram a dizer que crente até o diabo era, cria, mas não obedecia. Convencionou-se chamá-los de “evangélicos”. O termo evangélico demorou a ser aceito por todos, mas afinal pegou esta nova maneira de identificação dos membros de alguma denominação evangélica.

Para muitos, nos dias atuais, evangélico é todo aquele que não lê na cartilha da Igreja Católica Romana, mas que usa a Bíblia. Neste caldeirão entram seitas heréticas, denominações históricas, pentecostais, neo-pentecostais, livre pensadores, teólogos liberais e muitos outros! Chega-se mesmo ao absurdo, ser considerado “STATUS”, o fato de alguém ser “evangélico”. A mídia ajudou muito na propagação deste conceito, quando noticiava a conversão de artistas, atletas e gente de expressão do meio social, agora convertidos em “evangélicos”. Convertidos ao meio evangélico, mas não convertidos ao Senhor dos evangélicos! Ser evangélico virou charme, sinal de protesto e contradição, alternativa a uma sociedade corrompida nos seus valores. Mas no que se tornaram os assim chamados “Evangélicos”? Em primeiro lugar tornaram-se protagonistas de escândalos financeiros (Lavagem de dinheiro em paraísos fiscais, quantias não declaradas em alfândega, uso do dinheiro doado por fiéis em beneficio próprio e etc.), protagonistas de contradições teológicas, (Neo-pentecostalismo, com o seu liberalismo teológico e interpretações absurdas da Bíblia) protagonistas de escândalos morais, (Pedofilia, adultérios, e etc.), protagonistas de escândalos políticos (Máfia das Sanguessugas), protagonistas de um sincretismo religioso condenável (Pr. André Valadão, cantando em conjunto com o Rosa de Sarom, conjunto declaradamente católico, uso de símbolos satânicos por parte dos jovens, na Marcha para Jesus deste ano, fato que foi motivo de chacota por parte do CQC, usos de objetos como toalhas, lenços, água, óleo, fitas, balas, lâmpadas e outros como ponto de contato com a divindade e etc.) protagonistas do abuso da mídia como meio para extorquir dinheiro dos fiéis, mediante profecias e promessas, (Os incautos e despreparados evangélicos de hoje são presas fáceis destes vendilhões da fé, por não base sólidas na palavra de Deus) e muitos outros fatos que poderiam aqui ser alistados como escândalos.

A marca “Evangélico”, antes respeitada, deteriorou-se por completo, hoje não correspondendo mais ao conteúdo do rótulo: È uma farsa! Seria a mesma coisa, que a fabricante do “Leite Moça”, envasar um outro produto de péssima qualidade na sua embalagem tradicional, fraudando os consumidores, que julgariam estar comprando a marca famosa. O mundo está comprando a marca “Evangélico”, sem saber que o conteúdo é produto de péssima qualidade.

Não quero mais ser chamado de evangélico! Não quero ser confundido com aqueles que tornaram o nome um símbolo de descrédito. Daqui para frente, me identificarei como PROTESTANTE REFORMADO, pois não faço parte deste “Saco de gatos” em que se transformou o meio evangélico. Não sou melhor do que ninguém, mas também não posso me amoldar à fôrma, que o meio evangélico está querendo impor aos evangélicos de uma forma em geral e muitos estão aceitando passivamente. Não!”Não sou mais evangélico! Sou protestante reformado com muito orgulho!


*Pr. Ubirajara Quintino é pastor titular da Igreja Evangélica Presbiteriana Ebenézer, na cidade Americana – SP

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Para Refletir...



"A fé não admite glorificação senão exclusivamente em Cristo. Segue-se que aqueles que exaltam excessivamente a homens, os privam de sua genuína grandeza.
Pois a coisa mais importante de todas é que eles são ministros da fé, ou seja: conquistam seguidores, sim, mas não para eles mesmos, e, sim, para Cristo".


CALVINO, João. Exposição de 1 Coríntios, p.101-2.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Não sou mais crente

Tem gente que se sente crente, se veste de crente, fala como crente, mas não faz a menor idéia do que é ser crente.
Bem, ser crente qualquer um pode ser, e sabemos todos que até o diabo o é... e ainda treme por isso... o que muitos que se dizem crente não fazem - mas ser crente em Cristo significa andar como ELE andou, significa tomar a nossa cruz e segui-LO, significa ser melhor e melhorar todos os dias, significa amar.
Apenas se sentir crente não vale nada, tem que ser cristão - no sentido literal da palavra que é ser um pequeno Cristo...e aí.... ai meu Deus, o bicho pega !!

Não falo de perfeição, mas falo do esforço em aperfeiçoar nossos comportamentos tão relapsos e tão ridículos que fazemos em nome de Deus.
Posso estar errado, e amanhã posso mudar de idéia ou aprender outra coisa, mas hoje, hoje não quero mais ser chamado de crente.
Tudo o que me remete a palavra "crente" me tráz náuseas porque me leva diretamente a falsidade, a hipocrisia, a mentira, ao julgamento e a condenação de inocentes, me leva direto ao farizaísmo descontrolado de mentes "Caifânicas" e dominadoras.

Fico triste, e muito triste mesmo.
Lembro-me que no início de meu caminhar com Cristo eu queria contar pra todo mundo que era um "crente, evangélico ou protestante".
Eu queria que todos soubessem da minha alegria de servir a Deus, de estar numa igreja, de cantar pra ELE, de pregar e ensinar, de fazer o que eu achava ser a "Obra" de Deus...e tenho um pouco de saudades desse sentimento de orgulho em ser ou representar algo.
Continuo sendo e representando, mas agora apenas a Cristo. Aliás, com muito mais seriedade e devoção que antes, mas ser ou representar igrejas, bem, isso ficou no passado.

Ontem, quando voltava para casa, passei em frente a uma igrejinha nova que estava sendo inaugurada aqui na cidadezinha que moro...olhei com carinho e pensei: Que Deus dê força e sabedoria para essas pessoas não se corromperem e se manterem no caminho da graça, e que Deus afaste deles todos os que nessa cidade agem como mensageiros do inferno para destruir sonhos e igrejas...e enquanto pensava, vi lá dentro dessa igrejinha um grupinho de "crentes caiados" muito conhecidos por aqui.
Pensei: Lá estão eles novamente... igreja nova, pastores de fora e que não conhecem nada ou ninguém, gente cheia de amor missionário, irmãos de "guarda baixa"... Já sei o final dessa história: Manipulação mosaica, perseguição aos jovens, cabresto e jugo.

Esses "crentes caiados" são muito perigosos.
São gente conceituada e jurrásica dentro de igrejas , mas que nunca conseguiram se estabelecer e que em todas as confusões estão por perto....sabe o melhor amigo do pedófilo ? ....sabe o tesoureiro do ladrão?...sabe como é o amigo da onça? sabe o conselheiro do pastor maluco?... Então , eles são assim, não são os pecadores em si, mas são aqueles que propiciam o pecado, manipulam as mentes e preparam o caminho.

Aqui tem uma boa turminha assim, mas na sua cidade também tem, afinal, não são os lobos propriamente ditos, mas os verdadeiros mensageiros do inferno...lobos são fichinha perto deles, lobos a gente identifica, esses, ninguém acredita que não prestam, eles sabem agir, e eu tenho que reconhecer isso.

O que fazer então?...orar, e orar com fervor e persistencia para que Deus tenha misericórdia de seu próprio corpo e se cure, pois só a intervenção divina poderá salva-los.

Eu caí fora.
Hoje quero ser cristão, ajudar os pobres, pregar o evangelho para os não crentes, cantar para os velhinhos, visitar os doentes e dividir meu pão com quem não tem.
Quero amar de fato e de verdade , e não de púlpito e vaidade.
Não quero mais ser reconhecido, mas quero reconhecer aos que necessitam de Deus, não quero ministérios, unções, cargos, títulos, mas quero Deus em tudo o que faço, quero me entregar a Ele e por isso ser fortalecido, quero ouvi-LO, obedece-LO, segui-LO, adora-LO, entende-LO, e ao mesmo tempo mostrar tudo isso com paixão a quem precisa.
Cansei da hipocrisia dos templos feitos por mãos humanas e das vozes da vaidade e do poder. Cansei de falar e nunca ser ouvido e de ouvir e nunca poder falar.
Cansei da castração, da lavagem cerebral e da falta de perdão, cansei da brincadeira de mau gosto.

Estou começando de novo e do zero.
Releio a bíblia, refaço e revejo quantas vezes for necessário para aprender, mas quero acertar.
Não sou mais crente, e muito menos evangélico pentecostal ou tradicional, sou apenas mais um cristão sobre a terra , tentando verdadeiramente ser parecido com Cristo.
Eu só quero é ser de Deus, estar com Deus, agradar a Deus , e fazer o que ELE quer.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A SUPREMA E PODEROSA BATALHA ESPIRITUAL

Escrito por Rubinho Pirola
e copiado de www.genizahvirtual.com


Temo que muitos, mas muitos mesmo, estejam hoje, apenas brincando de ser crente.
É muito misticismo, muita glória-aleluia para pouco cristianismo, pouca vida que manifeste uma vida conforme Cristo.

Achando que tocamos o sagrado, ainda continuamos a cheira a açougue (carne, muita carne).

É reunião para buscar Deus e os céus: jejuns, arrepios, sensações, especulações, experimentações que só estimulam os sentidos, as emoções, a nossa carne, mais do que produzimos de resultado naqueles a quem tocamos, com o que a Palavra produziu em nós.

E é assim: muito falatório, muita aparência de santidade e pouco resultado daquilo tudo que devia salgar e iluminar.

A julgar pelo que faz sucesso hoje em dia, parece que até os líderes têm se encarregado mais de sessões de entretenimento (e arrecadação financeira) do que formar gente em Cristo, com o carácter de Cristo e a estatura de Cristo.

Enquanto cuidamos de lidar com o diabo, nas amarrações, dominação das hostes espirituais, a fazer o que chamam de "batalha espiritual", somos nós mesmos os diabos a tornar a vida do próximo um inferno.

E dá-lhe "quedas-debaixo-da-unção", sons de shofares, óleos ungidos... reuniões de oração e jejum para tornar Deus melhor do que é, ou para convertê-Lo às nossas causas e demandas e muito pouco resultado para espalhar o bom perfume de tudo o que cremos.

Talvez por isso mesmo é que precisamos todos de cursos de evangelismo, campanhas e técnicas de marketing, para fazer o que o dia a dia simples do crente podia naturalmente produzir.

Ontem soube de algo produzido pelo último ajuntamento na nossa comunidade aqui em Lisboa.
Não o que pode-se ver de mágico ou arrepiante nos horários de "culto", mas o seu "dia-seguinte", o que chamo de "prova dos 9", ou ainda o "efeito Segunda feira", o que resultou a mensagem que pregamos ou do culto que prestamos a Deus.

Uma irmã, reuniu-se com outras e, juntas organizaram um santo mutirão, um movimento espiritualíssimo, pois empenharam-se contra um principado chamado passividade, mobilismo e insensibilidade carnal e cada uma, no seu dia da semana, passou a ir até a casa de uma outra - curiosamente estrangeira (a Bíblia sempre os traz como uma classe à parte, símbolo do necessitado pela própria natureza) - que deu à luz recentemente, para ajudá-la limpando, lavando, passando-lhe as roupas, enfim, tudo aquilo que uma mãe em recuperação necessita.

Nada mais poderoso para calar o inimigo e vingativo opositor das nossas almas. Nada mais eficaz contra as hostes espirituais da maldade, nada mais forte, capaz de encher de perplexidade as potestades todas, nada mais... cristão.

É isso que me faz pensar que, afinal, ainda há Deus sobre Israel. Mais do que qualquer adorno, ou falatório, outra conversa-pra-boi-dormir, coreografia religiosa, carnaval evangélico... que faz do crente, um apenas um travesti de santarrão.
Amém!


"Seria este o jejum que eu escolheria, que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza?
Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao SENHOR?
Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?
Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?
Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda."

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O MEU DEUS

O DEUS QUE É DISCRETO, SIMPLES, GENTIL E HUMILDE,
e desprovido da religiosidade da falsa religião


O negócio da religião é simples de discernir e difícil dele sair de dentro da gente.

Na religião há uma bandeira, um time e uma torcida para cada uma delas.

Um ser religioso é um ser de rituais e costumes, aliados a um "respeito" a letra morta da escritura --- seja ela qual for: Cristã, Muçulmana, Budista, etc. --, a quem ele proclama defender.

O Deus da religião tem nome e é carente de adoração via "sacerdotes" em reuniões coletivas.

Já o Deus em quem eu creio é aquele que é O NOME, o Deus que é!

O Deus que é discreto, simples, gentil e humilde -- para a surpresa de muitos.

Sim, o Deus que não aceita adoração senão a da vida em misericórdia para com o próximo.

Sim, o Deus humilde, pois Ele só se dá a conhecer aos que falam a língua universal do AMOR -- que é a essência dEle mesmo -- e só busca adoradores que o adorem, não em um "lugar", mas, no íntimo do ser, em espírito e em verdade; que o adorem na vida -- mesmo quando escrevem, falam, comem, bebem, e, principalmente, quando se relacionam com outros seres humanos e com o Planeta.

Sim, o Deus humilde que quando vestiu cara de gente, só se fez discernir por quem creu nEle, pois não havia aparência nenhuma exterior de poder ou pompa real.

Quem é da religião (do time, da bandeira e da torcida), de qualquer uma delas, quando vê um hindu amar como Gandhi ou um muçulmano como Yunus, se não for do mesmo time, tende a sentir pena que alguém tão bom possa estar tão enganado.

Quando eu vejo alguém que ama o próximo, independente da etiqueta religiosa ou cultural, eu ligo na hora com os personagens dos evangelhos a quem Jesus elogiou a fé -- a mulher sírio fenícia, o samaritano, o centurião romano, etc. --, e que não eram da "religião" de Jesus... rsrsrs Como se Jesus tivesse "outra religião" que não a do AMOR.

Assim, querido(a), "Escritura" para mim, é a história do relacionamento de um povo com Deus, e "Palavra", é aquela que é impressa na nossa alma, e não em páginas de um livro.

É isso que eu discerni.


Bento Souto

domingo, 23 de agosto de 2009

SAUDADES

Por Renato Vargens

Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da lingua portuguêsa e também na música popular, "saudade", só conhecida em galego-português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor. A palavra vem do latim"solitas, solitatis", na forma arcaica de "soedade, soidade e suidade" e sob influência de "saúde" e "saudar".

Pois é, em agosto comemorarei vinte três anos que fui salvo por Cristo Jesus. Lembro com saudade daqueles dias, isto porque, o evangelho pregado era muito diferente do que se prega hoje.

Naqueles dias não havia apóstolos, não tínhamos ano apostólico, ninguém decretava nada, o louvor não era extravagante, não existiam bispas peruas, muito menos carnê Gideão.

Naquele tempo as canções não eram repetitivas, ninguém cantava para o diabo, nem tampouco era levita do Senhor. Os territórios não eram demarcados com urina, não existia a unção do leão, e ninguém trocava o anjo da guarda. Naqueles dias o Evangelho não era judaizante, não se tocava shofar no culto, nem tampouco existiam réplicas da arca e do tabernáculo nas Igrejas de Cristo.

Naquele tempo ninguém andava com cajado na mão, não existia a unção do riso, muito menos galo que profetiza, nem tampouco sapatinho de fogo. Não se fazia mapas espirituais, não existia culto do descarrego, terapia do amor e cartomantes espirituais.

Naquele tempo não se usava sal grosso para espantar mal olhado, não se ungia objetos inanimados, nem tampouco se sincretizava o evangelho do meu Salvador. Naqueles dias não se manipulava anjos, não se comercializava a fé, não se vendiam indulgências. Naquele tempo não se vendia utensílios milagrosos de Israel, não se subia a montes milagrosos, não se comercializava espadas matadoras de gigantes, nem tampouco os milagres eram trocados por sete reais.

Naqueles dias o evangelho não era chamado de gospel, os cantores eram adoradores e não artistas de Deus, não existiam fãs clubes, boates gospel ou festas dos sinais.

Caro leitor, confesso que nunca poderia imaginar que um dia iria sentir saudades da época que me converti.